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Sobre documentos digitalizados – Imprensa Atibaiense: 1890 – 1966. Do papel para a tela.

Sobre o projeto

Este projeto nasceu do encontro com os arquivos históricos de Atibaia. Em 2022, durante uma pesquisa no Museu Municipal João Batista Conti para uma série de reportagens sobre a execução de Antônio Raymundo Lucena, no período da ditadura militar, tive meus primeiros contatos com os jornais antigos do acervo. A busca por notícias específicas se transformou em um interesse crescente por esses documentos, que passei a consultar com frequência. Nas conversas com a diretora do museu, Rita Moura, conheci melhor a coleção de periódicos — entre eles, recortes já tombados como patrimônio histórico e cultural de Atibaia.

O encantamento com o acervo veio acompanhado de uma preocupação: muitos documentos apresentavam sinais de desgaste causados pelo tempo, pelo manuseio e por condições de armazenamento nem sempre ideais. Diante da raridade e da importância desse material, em 2023 foi proposto um projeto de digitalização por meio da Lei Paulo Gustavo — política pública emergencial criada para fomentar a cultura e apoiar trabalhadores e instituições culturais no Brasil.

O objetivo era duplo: contribuir para a salvaguarda dos documentos e ampliar o acesso público a essas fontes, facilitando pesquisas, estudos e leituras. Durante 2024, já com o projeto contemplado, o trabalho de digitalização possibilitou uma imersão prolongada nas páginas dos jornais.

Nesse processo, fui apresentada a uma parte ainda mais rara do acervo: livros e documentos manuscritos do período em que Atibaia ainda era vila colonial. São registros judiciais, administrativos e comerciais — livros de audiências, querelas, autos, inventários e atas da Câmara, entre outros — que revelam aspectos da vida cotidiana, das relações sociais e das estruturas de poder entre os séculos XVIII e XIX.

Em 2025, a iniciativa teve continuidade com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, que garante recursos para ações culturais em todo o país. Nessa etapa, foram digitalizados 20 volumes da coleção de documentos antigos, somando mais de 2.300 páginas com séculos de idade. Cada página foi cuidadosamente manipulada para que suas informações pudessem ser preservadas e disponibilizadas a pesquisadores, estudantes e ao público interessado.

Digitalizar esses documentos é preservar mais do que papel: é manter viva a possibilidade de compreender como a sociedade se organizava, como operavam as instituições e como as pessoas comuns atravessavam essas estruturas. Cada registro guarda memórias de conflitos, negociações, punições, acordos e trajetórias de vida. A história mostra que arquivos preservados podem revelar novas perspectivas sobre o passado — como ocorre em pesquisas que, a partir de documentos históricos, têm iluminado a vida de personagens centrais das lutas contra a escravidão no Brasil.

Este trabalho, iniciado no gesto paciente de digitalizar página por página, hoje se desdobra em uma pesquisa vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Culturas e Identidades Brasileiras do Instituto de Estudos Brasileiros (USP). Trabalhar com documentos judiciais do Brasil Colônia é um exercício vagaroso, mas revelador: cada nome e cada anotação são fragmentos de histórias que ajudam a iluminar experiências muitas vezes apagadas. Nos arquivos, há vozes esperando para serem ouvidas.

Ficha Técnica do projeto:

Pesquisa, produção, digitalização e comunicação: Luiza Guerra

Assistente de produção e pesquisa: Thiago Cervan

Acessibilidade: Celina Gomes

Dev. Aba do Site: Alex

Assessoria Site: Zizolino

Funcionárias do Museu João Batista Conti: Daniele Moraes, Eliana Hayashi e Rita Moura


Apoio: Oficina Cambará